Tratamento radioterápico em tempos de covid-19

Em meio à pandemia, diversos alertas dos especialistas em câncer têm sido publicados em relação ao atraso para o diagnóstico da doença e também à pausa nos tratamentos. Situações que podem levar pacientes com doenças potencialmente curáveis a terem as chances de cura severamente diminuídas. O tratamento radioterápico, por exemplo, não pode parar.

Vimos que as sociedades brasileiras de Cirurgia Oncológica e Patologia realizaram um levantamento estimando que o medo de contaminação por Covid-19 fez mais de 50 mil pessoas deixarem de ser diagnosticadas com relação à doença desde o começo da pandemia no Brasil. Ou seja, isso pode levar ao crescimento de diagnósticos tardios daqui a algum tempo.

A Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte/MG informou que atendimentos para câncer de mama, por exemplo, caíram 40%. Já a Sociedade Brasileira de Mastologia, em pesquisa nos principais centros de tratamento pelo SUS nas capitais brasileiras, percebeu uma queda de 75% nos atendimentos a pacientes com câncer de mama. O abandono dos tratamentos em curso é um risco muito grande!

Radioterapia

Entre os tratamentos que não podem ser interrompidos, gostaria de citar a radioterapia. A modalidade representa papel importante na cura de diversos tumores malignos. Até 60% dos pacientes diagnosticados com câncer irão necessitar de radioterapia em algum momento

O tratamento radioterápico consiste em raios-x direcionados ao tumor com precisão, e é realizado através de diversas sessões feitas de segunda à sexta-feira. O número de sessões varia de acordo com cada doença e o protocolo utilizado pelo médico rádio-oncologista .

Então, assim como serviços essenciais não podem parar, tratamentos importantes de doenças graves como o câncer não devem ser interrompidos.

Riscos minimizados

A Sociedade Brasileira de Radioterapia propõe diversas estratégias para minimizar os riscos de interrupção do tratamento e a ida não essencial do paciente ao serviço de radioterapia. Fracionamentos alternativos, telemedicina e consultas de revisão (consulta semanal que ocorre durante o tratamento) não presenciais são alguns exemplos para diminuir o fluxo de pessoas nas clínicas.

Além disso, os hospitais têm separado os fluxos de atendimento, atendendo em alas distintas. Dessa forma, busca-se diminuir o risco de contato com pessoas com suspeita de Covid-19.

A radioterapia continua sendo um tratamento seguro nas atuais circunstâncias e não “abaixa a imunidade”, como muitos pensam. Dessa forma, os pacientes já em curso de tratamento jamais devem interrompê-lo, sob o risco de prejuízos no resultado final da cura.

A pandemia vai passar. Mas o câncer não vai esperar!

Publicado também no site: Uai.com.br

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Dra. Bruna Bonaccorsi

Graduada pela Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais. Título de especialista pela SBRT e Membro associado do GBOT (Grupo Brasileiro de Oncologia Toracica) e GBCP ( Grupo brasileiro de cabeça e pescoço). Diretora Clínica do Instituto de Radioterapia São Francisco.
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