Todos os anos, o Outubro Rosa amplia a conversa sobre câncer de mama. A campanha ajuda a levar informações sobre prevenção e diagnóstico precoce para um número maior de pessoas, mas seu significado não deveria terminar quando outubro acaba.
Para 2026, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima 78.610 novos casos de câncer de mama por ano no Brasil. Em Minas Gerais, a estimativa é de 8.430 casos e, em Belo Horizonte, de aproximadamente 1.350.
São números que reforçam a importância de transformar conscientização em informação útil: entender os fatores de risco, reconhecer alterações que precisam de avaliação, compreender o papel da mamografia e conhecer as possibilidades de tratamento.
Entre elas está a radioterapia, especialidade que pode fazer parte do tratamento do câncer de mama em diferentes situações.
O câncer de mama não tem uma causa única
Um dos primeiros cuidados ao falar em prevenção é evitar uma ideia equivocada: a de que alguém desenvolve câncer porque “não se cuidou”.
O câncer de mama é uma doença multifatorial.
Idade, características genéticas, histórico familiar e fatores relacionados à vida reprodutiva podem influenciar o risco e não dependem necessariamente das escolhas de uma pessoa.
Existem, porém, fatores modificáveis.
A prática de atividade física, uma alimentação adequada, a manutenção do peso corporal adequado e evitar o consumo de bebidas alcoólicas estão entre as medidas relacionadas à redução do risco de câncer de mama.
Por isso, prevenção deve ser entendida como redução de riscos possíveis, e não como garantia de que uma doença nunca acontecerá.
Autocuidado também significa perceber mudanças
Conhecer o próprio corpo ajuda a perceber quando alguma coisa está diferente do habitual.
Algumas alterações nas mamas precisam ser avaliadas por um profissional de saúde, entre elas:
- nódulo endurecido ou que aumenta de tamanho;
- mudanças persistentes na pele da mama;
- retração ou mudança no formato do mamilo;
- saída espontânea de secreção sanguinolenta;
- aumento progressivo de uma das mamas;
- alterações persistentes na região das axilas.
Esses sinais não significam necessariamente câncer. Significam que existe algo que precisa ser investigado.
O ponto importante é não esperar o próximo exame de rotina para procurar orientação diante de uma alteração percebida.
Rastreamento e diagnóstico precoce são coisas diferentes
Esses dois conceitos aparecem frequentemente durante o Outubro Rosa, mas não significam a mesma coisa.
O rastreamento é realizado em pessoas que não apresentam sinais ou sintomas, seguindo critérios definidos para determinada população.
Desde setembro de 2025, o Ministério da Saúde recomenda que mulheres entre 50 e 74 anos realizem mamografia de rastreamento a cada dois anos.
Já o diagnóstico precoce parte de outra situação: existe um sinal ou sintoma que precisa ser investigado.
Nesse caso, não é necessário esperar entrar em determinada faixa etária ou chegar a data do próximo exame de rotina.
A pessoa deve procurar avaliação profissional.
Essa diferença é importante porque o rastreamento não substitui a atenção às mudanças percebidas no corpo.
E quando o diagnóstico é confirmado?
Depois da confirmação de um câncer de mama, o próximo passo é compreender as características da doença.
Não existe um tratamento único para todas as pacientes.
A escolha terapêutica considera fatores como extensão da doença, características biológicas do tumor, condição clínica e outros aspectos avaliados pela equipe responsável.
O tratamento pode reunir diferentes modalidades.
Cirurgia e radioterapia são tratamentos locais.
Quimioterapia, hormonioterapia e determinadas terapias-alvo são exemplos de tratamentos sistêmicos.
Essas estratégias podem ser utilizadas isoladamente ou combinadas, dependendo de cada caso.
Qual é o papel da radioterapia no câncer de mama?
A radioterapia utiliza radiações ionizantes para destruir células tumorais ou impedir sua multiplicação.
No câncer de mama, ela faz parte das possibilidades de tratamento locorregional.
Sua indicação varia conforme as características da doença e o tipo de cirurgia realizada.
Após uma cirurgia, por exemplo, a radioterapia pode ser indicada em determinadas situações com o objetivo de tratar a região planejada e reduzir o risco de retorno local da doença.
Em outros cenários, a sequência e a combinação dos tratamentos podem ser diferentes.
Por isso, a pergunta “todo câncer de mama precisa de radioterapia?” não possui uma resposta única.
A indicação é individual.
Antes da primeira sessão existe planejamento
Quando a radioterapia é indicada, o tratamento não começa diretamente no equipamento.
Existe uma etapa anterior de planejamento.
A equipe precisa definir a região que deverá receber o tratamento, organizar o posicionamento da paciente e estabelecer tecnicamente como a radiação será administrada.
Nesse processo, diferentes profissionais trabalham de forma integrada.
O médico radioterapeuta participa da indicação e definição terapêutica. A Física Médica trabalha nos cálculos e controles relacionados ao tratamento. Técnicos ou tecnólogos participam das etapas de posicionamento e aplicação, juntamente com outros profissionais envolvidos na assistência.
Grande parte desse trabalho acontece antes que a paciente veja a primeira aplicação.
E é essa preparação que ajuda a transformar uma indicação médica em um tratamento planejado para aquela pessoa.
Fazer perguntas faz parte do tratamento
Depois de receber um diagnóstico, é comum surgir uma quantidade enorme de informações novas.
Anotar perguntas antes das consultas pode ajudar.
Algumas delas podem ser:
- Qual é o objetivo do meu tratamento?
- Quais etapas estão previstas?
- A radioterapia será necessária no meu caso?
- Como será realizado o planejamento?
- Quanto tempo o tratamento deverá durar?
- Quais mudanças preciso comunicar à equipe?
- Existe algum cuidado específico para minha rotina?
- Com quem posso falar se surgir uma dúvida?
Não existe obrigação de entender tudo na primeira conversa.
Pedir que uma informação seja repetida ou explicada de outra maneira também faz parte do cuidado.
Informação não precisa gerar culpa
Outubro Rosa não deveria ser um mês para cobrar das pessoas uma rotina perfeita.
Deve ser uma oportunidade para ampliar acesso à informação.
Prevenir quando for possível.
Realizar rastreamento quando indicado.
Investigar sinais quando eles aparecem.
Entender as possibilidades de tratamento.
Fazer perguntas.
E procurar apoio quando alguma etapa estiver difícil.
Conhecimento não elimina todos os riscos e não torna um diagnóstico simples.
Mas ajuda a organizar decisões e a participar de maneira mais consciente da própria saúde.
Radioterapia no IRSF
No Instituto de Radioterapia São Francisco, cada tratamento de radioterapia passa por planejamento individualizado, considerando a indicação médica e as características de cada caso.
Tecnologia, conhecimento e trabalho em equipe fazem parte de um mesmo processo: oferecer um tratamento conduzido com responsabilidade e atenção a cada paciente.
Neste Outubro Rosa, nosso convite é simples:
Use a informação como parte do seu cuidado.
Diante de dúvidas ou alterações no corpo, procure orientação profissional. E, quando a radioterapia fizer parte da sua jornada, compreender cada etapa também pode ajudar a percorrer esse caminho com mais segurança.


